O Que é Economia Solidária

Economia solidária é um termo abrangente que tenta descrever um processo econômico, social, político e cultural, que emergiu nas últimas décadas, mas que tem raízes históricas muito mais antigas – nas formas e experiências de economias associativas do passado, como as comunidades indígenas, as comunas camponesas ou as cooperativas operárias do século XIX.

Esse fenômeno nasceu como resposta de setores populares à degradação do mercado de trabalho, da agricultura familiar e do meio ambiente – processos históricos que foram agravados pelas políticas neoliberais dos últimos 30 anos. A economia solidária se expandiu a partir da economia dos setores populares (geralmente individual e informal), com a construção de coletivos que traziam os valores éticos dos movimentos sociais: construção coletiva, democracia participativa, transparência, autogestão, respeito às diferenças, preservação ambiental…

Assim, embora com formas e ritmos diferentes, foi surgindo em toda parte (especialmente na América Latina) grupos, associações e cooperativas de produção e serviços (em áreas diversas: agricultura familiar, reciclagem de resíduos, artesanato e confecção, alimentos, turismo, serviços urbanos, cultura, comunicação etc.), assim como empreendimentos de consumo e de crédito. Apareceram experiências diversas e inovadoras: clubes de trocas; bancos comunitários e iniciativas de microcrédito e de moeda social; empresas falidas e recuperadas pelos trabalhadores de forma autogestionária; cadeias produtivas e redes de empreendimentos (como Bem da Terra)…

Surgiram também ações sociais que, embora não sejam empreendimentos de economia solidária, representam suportes importantes: programas e projetos de entidades apoiadoras (instituições religiosas, sindicatos, ongs, universidades…); políticas públicas diversificadas em diferentes níveis de governo; entidades e fóruns de economia solidária que reúnem e representam os empreendimentos em diferentes segmentos e níveis de territorialidade.

A economia solidária não se confunde com o cooperativismo tradicional (de tipo meramente empresarial) nem com projetos assistencialistas de caráter público ou privado. Tampouco ela é um resultado de políticas públicas. Ou seja: embora os empreendimentos solidários possam dialogar com essas e outras formas de organização econômica e social, os princípios que caracterizam e delimitam a economia solidária são a cooperação, a solidariedade, a autogestão e a sustentabilidade (econômica e ambiental), e organizações econômicas que firam esses princípios não são consideradas parte da economia solidária, independentemente da forma jurídica ou do discurso que adotem.

A economia solidária compreende, então, o conjunto de iniciativas econômicas de tipo associativo, multifamiliares, em que seus participantes compartilham solidariamente a operação (o trabalho), a propriedade de seus meios (o capital), os seus resultados, e o conhecimento e poder de decisão (gestão) relativos aos seus empreendimentos.

Bem da Terra, por exemplo, é um empreendimento que foi e é formado por outros empreendimentos de economia solidária e que conta com a parceria de entidades apoiadoras.

Para ler e saber mais sobre economia solidária, sugerimos começar pelo sítio do Fórum Brasileiro de Economia Solidária:

http://www.fbes.org.br/