4º Encontro Nacional de Agroecologia será realizado em Belo Horizonte

Entre os dias 31 de maio e 3 de junho Belo Horizonte (MG) recebe o 4º Encontro Nacional de Agroecologia (ENA), sob o lema “Agroecologia e Democracia Unindo Campo e Cidade”. Segundo a organização, “a expectativa é que o ENA reúna duas mil pessoas de todos os estados do Brasil”.

A programação do encontro prevê a realização de uma série de atividades, como a feira de sabores e saberes, apresentações culturais, mostra de cinema e debates públicos com momentos internos de aprofundamento de temas mobilizadores, em diálogo com organizações parceiras.

Na região metropolitana de Belo Horizonte, há experiências pioneiras de agricultura urbana que dialogam com o direito à cidade. Há, ainda, iniciativas inovadoras de movimentos e coletivos que propõem a ocupação dos espaços públicos e o envolvimento das juventudes em ações culturais e de defesa de direitos.

Alguns dos objetivos do encontros são trocar experiências, compartilhar aprendizados, discutir os efeitos das políticas públicas para a agricultura familiar e para os povos indígenas e povos e comunidades tradicionais e dar visibilidade pública à agenda política do movimento agroecológico junto aos governos e à sociedade.

Leia a Carta Convocatória do IV ENA.

Fonte: Ascom/Consea, com informações da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA)

Participação da Associação Educacional para Consumo Responsável Rede Bem da Terra na 6ª Feira Nacional da Red de Comércio Justo del Litoral (RCJL/Argentina)

Por Maria Laura Marques

Nos dias 6, 7, 8 e 9 de abril, ocorreu a 6ª Feira Nacional da Red de Comércio Justo del Litoral (RCJL/Argentina), na cidade de Rosário, Argentina. O evento que reúne, bianualmente, os integrantes da rede, promovendo o estreitamento entre os conceitos de produtor, distribuidor e consumidor econômico-solidário no país, contou este ano pela primeira vez com a participação de diversos grupos brasileiros. Simultaneamente à Feira, ocorreu um pré-fórum para a construção do Fórum Mundial Temático da Economia Solidária, que irá ocorrer em julho, na XXV FEICOOP, Santa Maria.
A Associação Educacional para Consumo Responsável Rede Bem da Terra participou do evento, unindo-se a uma delegação composta por grupos de outras 6 cidades da grande Porto Alegre, que levavam suas experiências em consumo, produção e arte para agregar aos três dias largos em atividades formativas e de trocas/comercialização. E tratando-se de ‘truques solidários’, a Associação organizou-se para realizar e efetivar uma troca com a rede argentina, de um produto que há tempo almejava-se encontrar proveniente de um grupo de ecosol: azeite! Nessa troca, o grupo argentino encomendou café+castanha de caju e em troca, pedimos azeite+vinhos. Para além dos produtos previstos, pasta de azeitona+erva mate tipo argentina+mistela (vinho licoroso) também foram recebidos.
Os laços da Associação com a RCJL/Argentina já possui alguns episódios anteriores os quais vêm fortalecendo a relação tanto como movimento social, como parceiros de distribuição internacional da produção solidária. Desde julho de 2017, após uma oficina sobre consumo responsável realizada na FEICOOP, junto ao Grupo Araçá/Novo Hamburgo, as primeiras conversas acerca da possibilidade de intercâmbios sistematizados entre os grupos de economia solidária brasileiros e argentinos haviam deixado sobre bases bastante sólidas a projeção de ações possíveis. O nosso café, orgânico e do comércio justo, interessava a eles da mesma forma que o azeite orgânico e da economia solidária nos causava deslumbre.
(Já neste episódio, a RCJL realizou uma primeira e simbólica troca com a Associação Bem da Terra (produtores): Tecidos produzidos por uma fábrica recuperada da Inimbo Red Textil Cooperativa (Argentina), por artesanato do grupo Aparecida/Bem da Terra).
Desde então, o contato foi mantido tendo em vista a possibilidade da visita de integrantes da Red ao Brasil, em setembro/2017. Naquele mês, também sob organização do grupo Araçá/NH, iria ocorrer uma oficina sobre a experiência argentina em que ao fim do dia programava-se a realização de trueques solidarios. Fomos convidados a participar e lá ocorreu pela primeira vez a troca de produtos entre a Associação de consumo e a Red. De Pelotas foi levado café e em troca produtos bastante diversos como Fernet, vinhos tintos e brancos, vinhos especiados, produtos cosméticos, molhos, temperos, artesanato e tecidos foram trazidos – o azeite não estava disponível naquele período.
A 6ª Feira da Red, em Rosário, já estava no horizonte neste encontro em Novo Hamburgo. Quase seis meses depois, as articulações para a ida do nosso grupo ao evento tornou-se uma intensa rotina ao GT Provisão. Era preciso que os produtos encomendados pela Red (o café e castanha de caju) estivessem em nossas mãos antes de partirmos, em qualidade e quantidade. Ao fim, aproximadamente US$1050,00 em produtos foram intercambiado entre as redes, e ao fim do evento, $40.000,00 pesos argentinos em produtos haviam sido trocados entre a RCJL/Argentina e os grupos brasileiros. Em dólares cerca de US$1.944,00. Informação essa a qual foi recebida com grande vibração dos presentes na plenária final do Pré-Fórum Mundial Temático da EcoSol.
E nesta costura de acontecimentos, não há alinhavado sem nó: em julho/2018, dentre os dias 12 e 15, o grupo hermano virá para a Feira de Santa Maria, onde uma vez mais será possível agregar pano nesta peça que está unindo a economia solidária da terra prateada ao sul brasileiro. Segue algumas fotos destes intensos dias de imersão na construção de um mundo hasta el buen vivir.

Adendos:

> A XXV FEEICOP irá ocorrer nos dias 12 a 15 de julho, em Santa Maria. O Fórum Mundial Temático de EcoSol tem como tema “Construindo a sociedade do bem viver: por uma ética planetária”. Após todas as experiências vividas no final de semana em Rosário, tem-se o indicativo que seja realizado oficinas com o tema “Prossumidor”, destacando a importância de que as duas pontas, produção e consumo, estejam ligadas na mesma lógica econômica solidária.

> Os “trueques solidarios” ou “troca entre pares” são uma prática bastante importante da RCJL que a primeiro momento pode parecer difícil captar sua ideia, mas que seus resultados as tornam totalmente significativos.
Opera-se levando em consideração duas esferas e momentos: a da produção direta (grupos produtivos que geram insumos ou produtos finais) e nós-de-distribuição (Armazéns espalhados pela costa argentina, como Buenos Aires, Rosário, Cafayate) que ficam responsáveis pela comercialização dos produtos dos primeiros. Os grupos produtivos fornecem seus produtos para o armazém mais próximo de sua região, e neste momento, ocorre a comercialização do produto ao valor que o produtor determinou e agrega-se apenas o custo de transporte (que dada a localização próxima, costuma ser baixo). Logo, abastecidos os armazéns, comercializa-se os produtos adicionando-se 25% do valor determinado pelo produtor para os custos de operação do espaço (tal qual é na Feira Virtual). Em um segundo momento, os armazéns distribuem as produções locais para os outros armazéns da Red, que muitas vezes não possuem toda a diversidade disposta em sua região. Essa distribuição é que são as “trocas entre pares”, e nesta esfera não há moeda envolvida, apenas os produtos, agregados do seu custo logístico (no geral 5% do valor total). Não há excedente, lucro, nestas trocas e a sua importância reside em: (1) Permitir viabilizar diversificação da oferta solidária sem que para isso seja preciso um alto recurso monetário disponível, ampliando a demanda dos grupos produtivos, (2) os custos logísticos são reduzidos, uma vez que a ligação entre os nós permite que se otimize o escoamento da produção de forma escalar (cada nó custeia o valor de frete referente a região do nó mais próximo na Red) (3) o preço final ao consumidor, por sua vez, também se reduz significativamente. E em um quarto momento, não menos importante, al revés, isso promove um fluxo e acumulação de recursos na economia solidária da região em grandes dimensões. Ou seja, a economia solidária produz, distribui e consome os produtos, insumos e tecnologias da economia solidária, e em cada vez maiores escalas.

ASSOCIAÇÃO BEM DA TERRA NA FENADOCE

 

A Associação Bem da Terra se faz presente nos estandes da Economia Solidária durante a 25ª Feira Nacional do Doce de Pelotas – RS. Com o tema Doce: a nossa grande história, a Fenadoce homenageia as doceiras e as raízes culturais de Pelotas. De 31 de maio a 18 de junho, o evento contará com 250 expositores na área de multifeira, 42 estandes de doces, 14 lancherias e dois restaurantes na praça de alimentação, e o Bem da Terra soma, comercializando artesanato, hortifrutigranjeiros, produtos de limpeza e cosméticos naturais, pães, laticínios, sucos, alimentos processados, plantas ornamentais, roupas e acessórios oriundos da Economia Solidária.

O Centro de Eventos Fenadoce fica na Avenida Presidente Goulart com a BR-116, e tem Ingressos à R$ 8 (segunda a sexta) e à R$ 10 (sábados, domingos e feriados). Crianças até seis anos são isentas, e estudantes com carteira estudantil e pessoas com mais de 60 anos pagam metade. 

REDE BEM DA TERRA – 10 ANOS FOMENTANDO O COMÉRCIO JUSTO E SOLIDÁRIO

Em meados de 2007, junto ao Núcleo de Economia Solidária e Incubação de Cooperativas – NESIC/UCPel, começam a surgir entre os empreendimentos assessorados, apoiadores (UCPel, Rádio Comunidade FM, Fórum Microrregional de Pelotas de Economia Solidária) e outros parceiros, a discussão de criar uma organização. Onde fosse possível buscar estratégias e formas de comercialização de produtos gerados a partir dos princípios da Economia Solidária: Autogestão, democracia, solidariedade, cooperação, respeito à natureza, comércio justo e consumo solidário.

Tais pilares motivaram a criação da Associação Bem da Terra – Comércio Justo e Solidário – que teve sua fundação no dia 25 de setembro de 2009. Contando a princípio com 14 empreendimentos, e hoje somando mais de 30 grupos associados de economia solidária, a trajetória da Rede Bem da Terra é permeada de desafios e superações.
Um dos primeiros ganhos da associação foram as Feiras Itinerantes mensais, realizadas a partir do ano de 2010, em frente ao Campus I da UCPel, e que logo se expandiram para outros espaços da cidade, como o IF-Sul e a UFPel. Tais feiras abriram (e seguem abrindo) portas não só no campo econômico, mas também político e social, agregando mais e mais empreendimentos solidários, além de parceiros dispostos a novos desafios.
Entre esses novos desafios, em 2011, surge o Armazém Bem da Terra Piratini, espaço de trabalho e comercialização de produtos agroecológicos. O Bem da Terra Piratini dá continuidade aos projetos sociais vinculados a Pastoral Católica de Piratini, visando oportunizar renda e trabalho na área de panifícios para grupos que recebem formação e profissionalização no espaço.

 

Em 2014 criou-se o Núcleo de Produção das Artesãs da Associação Bem da Terra. Iniciativa surgida através dos empreendimentos de artesanato, que uniram forças e criaram a coleção “Elementos da Terra”, visando homenagear a associação e dar visibilidade ao trabalho conjunto das artesãs.

 

Também em 2014, outras duas parcerias foram seladas: o Núcleo Interdisciplinar de Ensino, Pesquisa e Extensão em Economia Solidária e Incubação de Cooperativas e Empreendimentos Populares (NESOL) do IFSUL, auxiliando na formação e profissionalização dos empreendimentos da Associação Bem da Terra; e o Núcleo Interdisciplinar de Tecnologias Sociais e Economia Solidária da Universidade Federal de Pelotas (TECSOL – UFPel) que veio auxiliar na criação e manutenção da Feira Virtual juntamente com o NESIC/UCPel.

 

A Feira Virtual Bem da Terra é um mecanismo de comercialização de produtos de empreendimentos de economia solidária para consumidores previamente cadastrados e organizados em núcleos de consumo responsável. Os consumidores encomendam semanalmente (de segunda a quinta) os produtos de sua preferência através do portal Cirandas.net. Na quinta-feira à tarde os pedidos são repassados aos produtores da associação e aos sábados os consumidores recolhem seus pedidos no Centro de Distribuição Bem da Terra (atualmente localizado no Campus Santa Margarida da UCPel) onde fazem o pagamento correspondente. A oferta de produtos disponibilizados pela feira virtual é muito variada: alimentos, bebidas processadas, artesanato, brinquedos infantis, artigos de higiene pessoal, artigos para casa, conservas, doces, especiarias, grãos, cereais, homeopatias, produtos hortifrutigranjeiros, laticínios, massas, plantas ornamentais, produtos de limpeza, panificados, pescados, vestuário, calçados, etc.

Em 2015, o Bem da Terra conquista outro espaço de comercialização: a Banca 71 no Mercado Público de Pelotas. Alguns grupos interessados na gestão e manutenção do espaço, dividem tarefas e despesas, visando para além da comercialização, a difusão da Economia Solidária na área central de Pelotas.
O Bem da Terra, vinculado desde suas origens ao Fórum Microrregional de Economia Solidária de Pelotas, também participa da Feira Latino Americana de Economia Solidária, que ocorre anualmente na cidade de Santa Maria. E como forma de estabelecer vínculos com grupos de outras regiões e garantir o abastecimento para a produção dos grupos que compõem a associação, foi criado em 2016, o Rizoma, que articula a compra e venda de produtos dos empreendimentos do Bem da Terra e outros Grupos de Economia Solidária, tais como cooperativas oriundas de assentamentos do MST, comunidades campesinas de agricultura familiar e agroecológica, além de produções têxteis visando sustentabilidade ecológica.

 

Mas os desafios não param, atualmente a Rede Bem da Terra ganhou a parceira da Associação Educacional para o Consumo Responsável Bem da Terra, uma associação de consumidores responsáveis criada no final de 2016 visando fortalecer, e futuramente gerir, o projeto da Feira Virtual Bem da Terra.

Com dez anos de caminhada, a Rede Bem da Terra amplia cada vez mais suas parcerias e seus horizontes, sem esquecer de entumecer suas raízes humanas e solidárias na construção de uma vida digna a todas e todos que incorporam o projeto de um mundo mais justo.

 

Para maiores informações e contato:

bemdaterra.org

redebemterra@gmail.com

 

3ª OFICINA DE AUTOGESTÃO DA FEIRA VIRTUAL BEM DA TERRA

17457393_10154437628617503_8813149829562282572_nNo dia 18/03 ocorreu a segunda etapa do processo de autogestão da Feira Virtual Bem da Terra (FVBdT). A cada encontro, mais a Associação de Consumidorxs se apropria do processo, inclusive apontando sugestões para melhoramento das dinâmicas. Fotos da oficina aqui. Video da 2ª Oficina de Autogestão da Feira Virtual Bem da Terra 

Esse sábado, dia 1º de abril, às 9h, haverá um novo encontro para dar seguimento ao processo de autogestão da feira virtual Bem da Terra.

E no próximo sábado acontece o Encontrão de Consumidorxs:

Data: 08/04/2017 (SAB) Horário: 14h Local: Campus Santa Margarida

 

ELEITA NOVA GESTÃO DA ASSOCIAÇÃO BEM DA TERRA

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Na segunda-feira, dia 13/03, os grupos que compõem a Associação Bem da Terra se reuniram em assembleia para eleger a nova coordenação, que fará a gestão 2017-2019. Após o recadastramento de 22 empreendimentos solidários, houve a conversa que levou a escolha dos seguintes grupos como nova coordenação: Alegria, São Domingos, Núcleo de Produção e Kimerengue. Também foi escolhido entre os três sócios apoiadores, a RádioCom como parceira nessa gestão.

Visando compartilhar as responsabilidades e tarefas, e vislumbrando o desenvolvimento da Associação Bem da Terra, foram criadas comissões envolvendo representações de todos os grupos que irão auxiliar a coordenação. São elas: “Comunicação”, “Comércio Justo e Solidário”, “Formação, Educação e Acolhida”, “Relação e Integração”.

Outro ponto discutido foram as feiras itinerantes, que retomam suas atividades a partir de 11 de abril, em frente ao Campus I da Universidade Católica – UCPel. Lembrando que as feiras itinerantes ocorrem mensalmente, na segunda semana, nas terças-feiras na UCPel, e nas quintas-feiras no IF-Sul.

A associação Bem da Terra tem reuniões ordinárias na 3ª segunda-feira do mês, no Campus I da UCPel, e também conta com a Banca 71 no Mercado Público como espaço de comercialização e acesso aos/as produtores/as.