Rede Bem da Terra participa de oficina da Universidade Popular dos Movimentos Sociais – UPMS

Rede Bem da Terra, representada pela Associação de Produtores Bem da Terra e pela Associação Educacional para o Consumo Responsável Bem da Terra, participou da oficina da UPMS  “A educação sob ataque: movimentos na resistência” que teve como objetivo realizar uma ampla discussão crítica sobre a democratização da universidade tendo em conta um contexto de crescente ofensiva neoliberal e desmonte da educação no Brasil.

O encontro ocorreu nos dias 02 e 03 de junho de 2018 e encaminhou uma carta abarta anunciando os principais encaminhamentos. A seguir segue a carta aberta, bem como algumas imagens da atividade.

Carta Aberta da Universidade Popular dos Movimentos Sociais  – Pelotas

No último final de semana, nos dias 2 e 3 de junho, ocorreu a primeira Oficina da Universidade Popular dos Movimentos Sociais (UPMS) em Pelotas no âmbito da agenda de atividades do professor Boaventura de Sousa Santos. A UPMS nasceu no Fórum Social Mundial de 2003 como um espaço de conhecimento, encontro e diálogo, reunindo tanto movimentos sociais quanto intelectuais e artistas engajadas/os na luta contra todas as formas de dominação e opressão num contexto de hegemonia capitalista e de globalização neoliberal. A partir daquele momento, a UPMS tem promovido uma série de encontros e oficinas, em diferentes partes do mundo.

Em Pelotas, reuniram-se integrantes de mais de duas dezenas de entidades, movimentos sociais e coletivos organizados, abaixo relacionados:

Associação de Produtores Bem da Terra

Associação Educacional para o Consumo Responsável Bem da Terra

Cáritas Arquidiocesana

Casa do Estudantes Universitário da UFPel

Comitê em Defesa da Água Pública

Comunidade do Quilombo Vó Elvira

Comunidade Kaingang da Aldeia Gyró

Comunidades Tradicionais de Matriz Africana

Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de Pelotas

Conselho Municipal de Cultura

Conselho Municipal dos Direitos da Mulher

CPERS Sindicato

DCE Universidade Católica de Pelotas

Federação das Comunidades Quilombolas do Rio Grande do Sul

Frente Brasil Popular

Grupo Autônomo de Mulheres de Pelotas

Grupo MENE

Instituto Mário Alves

Levante Popular da Juventude

Museu da Maré- Rio de Janeiro

Observatório de Conflitos da Cidade

OCA – Arteiros Coletivos

Ocupação Canto de Conexão

Odara – Centro de Ação Social, Cultural e Educacional

Pastoral Afro

Setorial dos Estudantes Negros e Negras da UFPel

Sinsapel

Também – Grupo pela Livre Expressão Sexual

O tema central da Oficina foi a “Educação sob ataque / Movimentos em resistência”. Assim todos os nossos esforços, sentidos e afetos estiveram voltados a debater este tema, analisar a conjuntura atual e problematizar o papel da educação neste cenário. A educação aqui é compreendida de forma abrangente: engloba tanto os espaços formais de educação, como a universidade e a escola, quanto os espaços informais e as práticas educativas desenvolvidas no âmbito dos próprios movimentos. Nos debruçamos sobre temas como o ingresso, a permanência, as ações afirmativas, o currículo, a produção do conhecimento, o financiamento da educação, a precarização do trabalho docente e os baixíssimos e indignos salários dos e das profissionais da educação básica. Tratamos das ausências, da exclusão, da manutenção de práticas de opressão. Estes são alguns dos temas que estiveram no centro de nossos debates e que – assim nós acreditamos – podem apontar novos caminhos e perspectivas para nossas construções individuais e coletivas no campo da educação.

Ao final de nossas discussões, elaboramos esta Carta Aberta, que visa apresentar algumas das perspectivas e aspirações de todas e todos que estiveram presentes. Reunidos, todos/as os movimentos, coletivos e entidades REIVINDICAM:

–  que a Universidade Federal de Pelotas e a Universidade Católica de Pelotas se comprometam a firmar um acordo de cooperação, de forma a garantir as condições estruturais e financeiras necessárias para a continuidade das atividades da UPMS em nossa cidade e região. Desta forma, será possível ampliar os canais de interlocução entre os movimentos sociais e as universidades e construir espaços efetivos de escuta e de diálogos entre os saberes acadêmicos e sociais.

– o engajamento das instituições, entidades e movimentos sociais nas mobilizações contra o desmonte da escola pública, seu compromisso com a defesa da educação e com a valorização, a autonomia e a liberdade de ensino dos/as professores/as da educação básica;

– que sejam priorizadas as políticas de assistência estudantil, as ações afirmativas e as ações de acesso e permanência na universidade para estudantes de escola pública, negros/as, indígenas, quilombolas e alunos/as oriundos da reforma agrária, bem como a manutenção do Programa Bolsa Permanência;

– a qualificação dos currículos das escolas e universidades, com a garantia de que tais currículos contemplem temáticas relativas aos direitos humanos, gênero, diversidade sexual, questões étnico-raciais, diversidade religiosa, consumo responsável, produção agroecológica e solidária.

E diante da atual conjuntura, MANIFESTAM:

– o desejo de que os coletivos, movimentos sociais e entidades comprometidas com a transformação social procurem criar novos espaços de articulação, capazes de criar redes de ação e solidariedade potentes e efetivas;

– sua indignação frente ao processo de criminalização dos movimentos sociais e o assassinato de lideranças indígenas, quilombolas, camponesas e populares. De forma especial, registram sua denúncia diante da execução da vereadora negra Marielle Franco, que segue impune;

– sua indignação frente ao processo judicial político e tendencioso do qual foi vítima o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva;

– sua defesa incondicional da democracia e a necessidade de que esta se amplie cada vez mais nesse país.

Por fim, manifestamos nosso desejo de que iniciativas como as Oficinas da UPMS se multipliquem, que possamos ampliar nossas redes e que venham novos tempos para todos e todas nós que acreditamos nas possibilidades transformadoras da educação.

UNIVERSIDADE POPULAR DOS MOVIMENTOS SOCIAIS / PELOTAS

3 de junho de 2018.

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